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  • Ivan Guilhon

Barras baixas não fazem bons saltadores.

"É indispensável adotar expectativas exigentes para os estudantes e o seu trabalho. Dentro de limites muito vastos, os alunos adaptam-se às expectativas que deles se formam. Tratá-los como incapazes, como acontece muitas vezes nos currículos e manuais escolares, apenas os torna realmente incapazes. Na feliz expressão inglesa, é uma self-fulfilling prophecy."

Trecho do livro "O Eduquês em discurso direto", de Nuno Crato.



Flickr: Ryan Bertucci of Chico State jumps 7' 1/4"


Um professor precisa estar atento ao nível de maturidade de seus alunos. Em ciências exatas, queimar etapas nunca é uma prática sempre indesejada.

Mas um mais pernicioso que esse, e amplamente difundido, é tratar os seus estudantes como incapazes de se aprofundarem no conhecimento e em boas leituras. O fato é que muitos excelentes estudantes tem um potencial desperdiçado simplesmente porque não há quem exija deles o melhor que eles podem dar.


Sejamos claros citando exemplos. Há décadas atrás, as pessoas estudavam noções de cálculo diferencial e integral no ensino científico, que hoje se chama ensino médio. O livro Fundamentos da matemática elementar vol. 8 é testemunha do que digo. Hoje, não mais. Mais recentemente, de uns 10 anos para cá, desde que vários vestibulares foram substituídos pelo Enem, perdi a contas de quantas vezes ouvi "não vou estudar assunto X porque não cai no ENEM" durante os anos que eu dei aula em cursinhos. O meu conselho para jovens estudantes é que fujam desse tipo de desculpa, assim como de outra desculpa que eu bato sempre por aqui "Não vou estudar Y porque sou de humanas/exatas".


Dar aulas com um nível tão elevado que apenas poucos alunos da turma estejam aptos a acompanhá-lo é um erro grave. Mas um erro tão ruim quanto esse é deixar de exigir o melhor que seus alunos podem dar de si.

Este segundo erro dá uma falsa sensação que o aluno está resolvido, que não mais precisa mais se esforçar, que não há mais o que ser aprendido por ora por ele. O primeiro erro, pelo menos, deixa claro ao estudante que há muito o que aprender.


Barras baixas não fazem bons saltadores.

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